Catálogo

  • Horizontes Urbanos Medievais

    A leitura dos textos reunidos neste livro pode ser encarada como um percurso em busca de uma paisagem perdida: a da cidade medieval portuguesa. Com efeito, apesar de as cidades e vilas portuguesas ainda apresentarem muitos vestígios da especial organização do espaço desses tempos já tão recuados, o pleno reencontro com a cidade medieval é sobretudo possível a partir de um lento e minucioso trabalho de reconstituição realizado a partir de informação, na maior parte dos casos não intencional, conservada nos documentos escritos coevos. E foi exactamente a partir desses documentos que a autora conseguiu reaver os principais contornos dessa tão complexa e viva tessitura urbana, feita de ruas, casas, igrejas, edifícios notáveis, muralhas e castelos. Mas também de gentes, que através da vivência dos seus quotidianos lhe imprimiam uma identidade própria. Um reencontro com a cidade medieval portuguesa que, todavia, não se deve esperar que seja luminoso e definitivo. Tal como as damas a quem os trovadores dedicavam as cantigas de amor, a cidade medieval deixa-se apenas vislumbrar, para que não esmoreça a curiosidade de quem a visita.

    15.14
  • História Diplomática de Portugal. Uma Cronologia

    Grandes historiadores, como Marc Ferro e Joel Serrão, subscreveram títulos de história cronológica. Quer isto dizer que continuam a justificar-se, inequivocamente, obras de referência desta natureza e com estas características. (Não é a história a “ciência dos homens no tempo”?) A História também se tece com estes fios. Não nos iludamos: são tão necessários os trabalhos com um pendor mais explicativo, como estes que vivem essencialmente de factos e de aconteci-mentos. Até porque esta história factual (à falta de melhor palavra) é fundamental para a construção de uma outra mais “complexa”, mais conceptual. São duas dimensões que se complementam. E se é importante encontrar uma certa lógica das evoluções e procurar grandes explicações (estruturais), é também essencial reafirmar “o papel do Acontecimento”, da curta duração, do que se agita à superfície, em suma, “reabilitar o fortuito, restituir importância ao singular” e reafirmar o protagonismo dos indivíduos (René Remond). É esta dimensão da história que se cultiva, exemplarmente, neste trabalho do Embaixador Castro Brandão. Na sequência da já extensa lista bibliográfica do autor – com especial ênfase em títulos relacionados com a cronologia e as relações internacionais –, eis mais uma obra de referência e de consulta obrigatória. “Uma cronologia”… – aceita-se o subtítulo, por justificados receios… De facto, se a história é sempre uma escolha – e escrever é seleccionar e optar –, inevitáveis ausências e silêncios detectam-se ainda mais em trabalhos como este. Mas, ao pensarmos no fôlego da obra, no manancial e quantidade de elementos, de dados e de pormenores, na qualidade e na diversidade da informação e das informações – desde os grandes tratados às (só aparentemente) singelas efemérides –, ao pensarmos em tudo isto, creio que estamos, neste momento, no campo da história diplomática, na presença de a cronologia… Não sabemos que mais admirar neste escrito (uma vez mais pioneiro): se o infatigável labor, se o trabalho de pesquisa e de inventariação, se a riqueza, se o rigor, se a minúcia… Obra essencial, que tem tanto de valiosa como de útil, para historiadores e especialistas – sobretudo para os que privilegiam as relações internacionais –, mas também para o grande público que não deixará de encontrar respostas para muitas perguntas… As cronologias de qualidade continuam a ser preciosos instrumentos de trabalho para todos os que se interessam pela História. Augusto José Monteiro

    34.98
  • Da Vila Cercada à Praça de Guerra

    «A reconstituição histórica começa naturalmente pela reconstituição do tecido urbano que a autora consegue redesenhar recorrendo a todos os elementos diligentemente buscados e encontrados. Dir-se-ia que, paciente como Penélope, faz, desfaz e refaz a teia urbana de Almeida. Desde logo a reconstituição da vila medieval e das muralhas, hoje virtuais, mas bem presentes na morfologia urbana. Uma boa leitura tanto dos dados no terreno como de Duarte de Armas permitem entrever a passagem para a Idade Moderna, núcleo duro da pesquisa. O estudo da conformação do espaço conduz a um entendimento totalizante da vila nos finais do século XVIII, concluindo a autora pela sua “progressiva militarização”, de que serve de exemplo a marcante transformação dos espaços-praça: a Praça Velha feita Praça de Armas e o Terreiro de S. João feito Praça de S. João depois de herdar o pelourinho, instrumento visível de um poder muni-cipal secundarizado. Chega-se pois a uma leitura iconológica da vila cercada no seu caminhar para a Praça de Guerra. É ainda estudada com rigor a actuação dos engenheiros militares durante os séculos XVII e XVIII e as marcas por eles deixadas no tecido urbano em arquitectura e urbanismo. (…) conseguiu, ao estudar um “caso” em toda a sua complexidade e com uma perfeita adequação metodológica, oferecer à comunidade científica e aos leitores em geral, um texto/exemplo de como se deve fazer História do Urbanismo.» JOSÉ EDUARDO HORTA CORREIA

    27.41
  • Sexualidade, Família e Religião na Colonização do Brasil

    Foi a Igreja que, mais ainda do que o Estado, se debruçou sobre a vida sexual e familiar dos colonos da América portuguesa. A colonização fez-se com a transferência das normas eclesiásticas, bem como das leis civis, em vigência no Reino de Portugal e todos, índios, negros, mestiços e brancos, a elas deviam obedecer. Mas as transgressões ocorreram na colónia e neste volume avalia-se em que medida os vários grupos étnicos se afastaram dos padrões de comportamento impostos pela metrópole.

    18.50
  • Nos Bastidores das Eleições de 1881 e 1901

    A correspondência aqui publicada é uma importante fonte para o estudo das eleições e do mundo da política no liberalismo monárquico, dando-nos a conhecer um valioso acervo de informações inéditas e pormenorizadas sobre os bastidores das campanhas eleitorais de 1881 e 1901. A selecção dos candidatos, o comportamento dos caciques locais, as transacções clientelares, as negociações e alianças partidárias, as finanças e os “métodos” eleitorais, são alguns dos temas documentados. As duas eleições parlamentares retratadas têm perfis políticos distintos. A eleição de 1881, a última que se realizou em Portugal sob o regime exclusivo dos pequenos círculos uninominais, foi palco de uma inusitada luta sem tréguas entre o governo regenerador e a oposição progressista, em que o partido no poder não hesitou em recorrer a todo o tipo de expedientes para impor uma severa derrota ao seu principal adversário. A eleição de 1901, a primeira em que vigorou em todo o país o escrutínio plurinominal de lista incompleta, inscreve-se, pelo contrário, na tradição dominante da “política de acordos” entre os dois partidos da rotação, que combinaram entre si a repartição dos mandatos electivos e uniram esforços para barrar o acesso de potenciais intrusos à arena parlamentar.

    17.63 12.34
  • A Construção Medieval do Território

    Os textos reunidos nesta colectânea pretendem ser uma chamada de atenção para alguns aspectos da construção medieval do território. Com efeito, os séculos medievais surgem como tempos fulcrais para a ocupação e ordenamento do território português uma vez que nessa cronologia teve lugar não apenas a estabilização espacial que permitiu a obtenção dos limites que, grosso modo, continuam ainda a ser os seus, como também ocorreu um complexo processo de consolidação do espaço ocupado e da tentativa de melhor inserção das áreas periféricas. Tendencialmente protagonizado e dirigido por uma realeza interessada em obter espaços politicamente equipados e susceptíveis de apoiarem a afirmação da sua autoridade, o seu desenvolvimento foi responsável pelo emergir de variadas tensões, algumas das quais ainda hoje são detectáveis, como a gerada pela distinção entre centro e periferia. Um processo que decorreu num tempo longo, estendendo-se muito para além da Idade Média, mas que permitiu a emergência de Portugal como um território unificado sob o ponto de vista político-administrativo, aspecto que não deixou de contribuir para a construção da identidade nacional.

    13.08
  • A Formação Histórica do Salazarismo

    Quando tomou posse da pasta das Finanças a 28 de Abril de 1928, Oliveira Salazar não trazia consigo uma brilhante e intensa carreira política. Surgia apenas como um reputado especialista financeiro a quem era pedido que equilibrasse o orçamento e as contas públicas e reformasse a administração. Nada mais. Cansada de hipocrisias e especulações, muita gente apoiou este homem distante e reservado, a quem não se conheciam ambições políticas porque sempre dissera que as suas ambições se limitavam às aulas e ao convívio com os amigos. Depressa os resultados do seu trabalho se viram. Em pouco tempo cumpria os desígnios para os quais tinha sido chamado. Ao fazê-lo, conquistava pessoas e influências. Aos poucos os seus apoios multiplicaram-se, estendendo-se dos meios monárquicos e católicos até um importante grupo republicano-maçon da zona centro de Portugal. Com este trabalho procura-se estudar as circunstâncias históricas que levaram Oliveira Salazar de ministro das Finanças a chefe de Governo, com poderes que desde o fim da Monarquia mais nenhum ministro teve. Propomo-nos assim conhecer e compreender o curso dos acontecimentos e as discussões ideológicas, políticas e económicas, que sacudiram o país de 1928 a 1932.

    11.07
  • D. Luís da Cunha e a Ideia de Diplomacia em Portugal

    A presente obra debruça-se sobre a actividade diplomática de D. Luís da Cunha ao longo da sua estada nas cortes europeias (1696-1749) e, simultaneamente, reflecte sobre os manuscritos que deixou. A leitura da correspondência do embaixador porá o leitor em contacto com um pensamento perfeitamente elaborado sobre a natureza dos interesses do estado, um conhecimento profundo da vida política internacional do tempo, bem como perante uma correcta avaliação do sentir das opiniões públicas das cortes frequentadas e das sensibilidades dos seus governantes. D. Luís da Cunha e a ideia de diplomacia em Portugal, não deixará de aproveitar ao leitor que se interesse pela actividade social dos embaixadores e que pretenda aprofundar os conhecimentos sobre a época Joanina.

    17.44
  • D. Carlota Joaquina 2.ª Edição

    17.44
  • Centros Urbanos no Alentejo Fronteiriço

    A faixa territorial de várias dezenas de quilómetros que de ambos os lados percorre a raia entre Portugal e Espanha exibe, desde época que não se pôde precisar com exactidão, um traço comum – reúne parte considerável das regiões económica e socialmente mais deprimidas, de que o Alentejo e a Extremadura espanhola constituem exemplos significativos, de dois dos estados menos desenvolvidos da Europa ocidental. O estudo que apresentamos mostra, contudo, que o subdesenvolvimento das regiões fronteiriças não foi fenómeno generalizado no espaço e no tempo. O crescimento populacional e urbano, o dinamismo económico, social e cultural detectados, ao longo do século XVI e primeiras quatro décadas do século seguinte, em Campo Maior, Elvas e Olivença contrariam as tão propaladas visões depreciativas sobre a região e as suas gentes.

    20.14
  • Origens e Formação das Misericórdias Portuguesas

    Esta reedição de Origens e Formação das Misericórdias Portuguesas reveste-se de particular importância pois trata-se de um livro clássico, desde há muito esgotado, e de consulta incontornável para todos aqueles que se dedicam ao estudo da génese e história desta importante instituição de assistência. Este livro permanece, em muitos aspectos, de grande actualidade mercê de uma correcta e aturada pesquisa de fontes históricas, constituindo uma base sólida para os investigadores, continuando ainda hoje a ser citada como obra de referência. O autor, que se dedicou com especial agrado ao estudo e divulgação da vida e obra da rainha D. Leonor, a quem se atribui a fundação das Misericórdias, dá-nos uma síntese da evolução do conceito de Assistência, isto é, auxílio, socorro, desde os tempos anteriores ao Cristianismo, atravessando várias civilizações, sociedades e religiões, para acabar com a fundação das Misericórdias em Portugal, ponto de partida de uma verdadeira rede de instituições de assistência que se espalhou por todo o País. Este vasto estudo sobre a génese e evolução da Assistência vem de novo chamar a atenção para a vastidão do tema e, sobretudo, para a história de uma Instituição que teve importância fundamental na História portuguesa dos últimos cinco séculos.

    31.72
  • Setúbal – Economia, Sociedade e Cultura Operária

    Este livro pretende contribuir para um melhor conhecimento do aglomerado urbano de Setúbal. Dada a sua localização geográfica privilegiada, que provocou um rápido desenvolvimento económico, desde sempre atraiu gentes do Norte e Sul do país portadoras de culturas diversas que interpenetrando-se fizeram desta cidade um pólo cultural com características próprias. O seu porto, situado na margem norte do estuário do Sado, deu origem a um dos principais centros portugueses de pesca, de extracção de sal e, posteriormente, da indústria de conservas de peixe. No entanto, a sua importância para a economia nacional e para a indústria sociocultural tem sido menosprezada. Recorrendo aos mais diversos tipos de fontes de forma extensa e pormenorizada, o presente livro é uma contribuição essencial para situar a importância da cidade de Setúbal no contexto nacional do final do século XIX e princípio do século XX, bem como para fornecer novas pistas para estudos macro-históricos sobre a zona da península de Setúbal.

    33.83
  • A Conservação Urbana e Territorial Integrada

    Esta obra destaca-se claramente de tudo o que já foi publicado em Portugal sobre o tema da reabilitação urbana, não só pelo seu carácter assumidamente interdisciplinar e equidistante, mas também por se desviar do discurso laudatório tão habitual em publicações com a mesma temática. Neste livro, estamos não só perante um conjunto de análises críticas a diversas intervenções – levadas a cabo nas últimas três décadas em centros históricos portugueses, com especial ênfase nos casos do Porto e de Gaia –, mas também perante propostas capazes de abrir novos horizontes. Os autores, Francisco Queiroz e Ana Margarida Portela, depois de apontarem os pontos fortes e os pontos fracos dessas intervenções, assim como os resultados obtidos e alguns dos seus efeitos colaterais, propõem novas perspectivas sobre a reabilitação integrada de centros históricos, constituindo-se assim a primeira obra publicada em Portugal dentro do espírito da Integrated Territorial and Urban Conservation do ICCROM.

    20.14
  • Poder e Iconografia no Antigo Egipto

    Numa sociedade como a do antigo Egipto, aliás, como actualmente, o impulso do poder é particularmente notório nas elites. A realeza egípcia de todas as épocas procurou sempre influenciar a sociedade no sentido de garantir a sua supremacia, para o que desenvolveu e aplicou ao longo dos séculos uma tipologia mais ou menos rígida de práticas e ritos para alcançar esse pretendido efeito. Na época dos Ptolomeus, as suas representações, as suas pinturas e os seus baixos-relevos pretenderam, de igual forma, impor concepções e práticas de poder. Utilizando um vocabulário artístico-iconográfico milenar, os Ptolomeus reivindicaram o antigo prestígio da noção de faraó através de atitudes político-ideológicas de total identificação e assunção dos dogmas, rituais e emblemas egípcios mais ortodoxos. A sua iconografia carrega uma indisfarçável carga ideológica e propagandística.

    19.08
  • A Rua – espaço, tempo, sociabilidade

    A rua como lugar estratégico para a observação da vida urbana é o tema central deste livro. A proposta é: procurar diferentes aproximações a esta realidade complexa a partir do olhar da antropologia, da história, da sociologia e da arquitectura, em contextos geográficos e temporais distintos. A rua condensa e viabiliza todo um imaginário feito de discursos e imagens, de memórias e emoções, que atravessam e elaboram simbolicamente a cidade naquilo que ela tem de mais original. Espaço, tempo e sociabilidade são três tópicos da presente colectânea. Na Paris popular oitocentista, nos actuais campos de refugiados ou na Lisboa dos séculos XIX e XX, vamos ao encontro do lugar da rua.

    15.09
  • As Multiplas Faces da História

    Este livro é constituído por uma série de ensaios que andavam dispersos, escritos ao longo de mais de vinte anos de investigação. As reflexões sobre o método histórico e as análises do pensamento de historiadores e cientistas sociais articulam-se, em As Múltiplas Faces da História, com um trabalho de questionamento das cinco áreas pelas quais o autor tem dividido o seu labor de historiador: a cultura política do período moderno; a história da cultura escrita; a expansão europeia e a história do colonialismo numa perspectiva globalizante; o trabalho de análise da historiografia e a história das ciências sociais; e a sociologia da literatura e da leitura. Trata-se de um panorama amplo e diversificado onde os diversos modos de fazer e escrever história são objecto de uma permanente vigilância crítica e reflexiva.

    30.18