“Vício adquirido com Rangel”

“Vício adquirido com Rangel”

Proença de Carvalho afirma numa biografia que foi com o ex-marido que a jornalista se tornou dependente da cocaína.

A dependência de drogas foi assumida por Margarida Marante, mas o advogado Daniel Proença de Carvalho revela agora que o vício em cocaína da falecida jornalista se iniciou com o marido de então, Emídio Rangel – que morreu em agosto de 2014.

“Daniel Proença de Carvalho, que manteve sempre a amizade nesses tempos duros, pensa que ‘esse vício fora adquirido com Emídio Rangel, mas enquanto ele tinha estrutura física e emocional para recuperar, a Margarida não tanto’”, escreve Maria João Martins numa nova biografia de Margarida Marante, citando o conhecido advogado.

No livro, Proença de Carvalho, bem como o ex-marido Henrique Granadeiro, são apresentados como “amigos à prova de tudo”. Na curta lista de amizades de Margarida Marante – que morreu em 2012, aos 53 anos – estão ainda os nomes da jornalista Fernanda Câncio, do ex-primeiro-ministro José Sócrates, da cabeleireira Marina Cruz e do banqueiro Jardim Gonçalves. Este último, refere a biografia, proporcionou à jornalista “um tratamento de excelência numa clínica em Espanha”.

“O que posso dizer sobre esses tempos? Que na maior parte das vezes nos sentíamos impotentes para evitar desastres. Que nos multiplicávamos em conselhos sem esperança de que fossem atendidos”, conta Proença de Carvalho à autora do livro.

“Ela lutava contra um inimigo capaz de causar enormes devastações: a doença mental crónica”, diz Granadeiro.

“Não soube lidar com a normalidade da relação”
Catarina, filha de Margarida Marante e Henrique Granadeiro, recorda os cinco anos em que a mãe foi casada com Rangel. “Nos primeiros anos não tenho dúvidas de que a minha mãe foi muito feliz. Depois, veio a deterioração”, diz, referindo que Rangel não soube lidar com a “normalidade da relação”.

Perseguida por ex-motorista
A 14 de janeiro de 2006, Margarida Marante viu o seu apartamento invadido por Farinha Simões – que conheceu quando Rangel decidiu fazer um documentário sobre o caso Camarate e este defendia a tese de atentado, e com quem se envolveu. O homem, que tinha sido motorista de Sousa Cintra, arrastou-a para dentro de um jipe sob ameaça de uma faca de cozinha. Agrediu-a com socos, estalos e com o cabo da arma branca. Acabaram num pinhal, não sem antes Farinha Simões ameaçar divulgar informações falsas sobre amigos de Marante. Esta resolveu quebrar o silêncio e revelar o drama que havia vivido às mãos de Farinha Simões, que chegou a introduzir-lhe uma arma no seu sexo. O homem acabou preso a 28 janeiro desse ano. “Foi um erro ter ido para a cama com ele”, disse Marante na altura. A tragédia acabou por persegui-la até à morte, no dia 5 de outubro de 2012, vítima de ataque cardíaco.

“Mancha a imagem”
Marina Cruz acompanhou Margarida Marante até ao fim da sua vida. A cabeleireira guarda as melhores recordações da jornalista e considera que falar agora do vício da cocaína era escusado. “Mancha a imagem de qualquer um”, diz Marina Cruz.

Combater depressão
Henrique Granadeiro, primeiro marido de Margarida Marante e com quem teve três filhos (Henrique, Catarina e Joana), dá o seu testemunho no livro e afirma que a jornalista perdeu “o combate contra um inimigo temível e mortal que é a depressão”.

Livro lançado segunda-feira
A biografia de Margarida Marante será lançada na próxima segunda-feira, no El Corte Inglés, em Lisboa. A obra terá a apresentação de Daniel Proença de Carvalho.

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