Italiana Nunzia de Palma desvenda sentimentos de Lisboa através de azulejos das fachadas

Italiana Nunzia de Palma desvenda sentimentos de Lisboa através de azulejos das fachadas

O livro bilingue «Hoje sinto-me – Diário dum azulejo», de Nunzia de Palma, é prefaciado pelo escritor Gonçalo M. Tavares, que a qualifica de “bela e insólita”.

A obra, escreve Gonçalo M. Tavares, revela “um extraordinário processo de atenção”, tanto mais que “os azulejos não gritam nem falam, mas murmuram”.

“Hoje sinto-me – Diário dum azulejo – Today I feel – Diary of an azulejo”, de Nunzia de Palma, é apresentado na próxima sexta-feira, às 18:30, pelo realizador Ricardo Cortiço, no espaço Cortiço & Netos, na calçada de Santo André, em Lisboa.

O livro, em formato de um azulejo, intercala pequenos textos ou reflexões com fotografias de azulejos de Lisboa, devidamente localizados, ora na rua da Bempostinha, ora da Junqueira, Nova Loureiro ou na da Saudade, onde morreu o poeta José Carlos Ary dos Santos que, num poema, se referiu aos azulejos como “banda desenhada nas paredes do amor”.

Gonçalo M. Tavares propõe que esta obra, publicada pelos Livros Horizonte, se poderia também intitular “a vida privada e imaginativa dos azulejos”. Segundo o escritor, Nunzia de Palma “vê o que é evidente e vê o que poderia estar ali”.

Este livro revela “um extraordinário processo de atenção, que vê pormenores minúsculos, mas também imagina”, atesta Gonçalo M. Tavares.

Nunzia de Palma afirma que cada estrangeiro que visita Lisboa “descobre-se de repente ‘azulejófilo’, por vocação e caminhante por profissão, gastando as suas solas para percorrer toda a cidade e conseguir captar a variedade de cores e desenhos colados nas fachadas”.

Afirma a autora que, depois de se ter também tornado uma “‘azulejófila’”, decidiu começar “a ler este diário, em que as venturas sentimentais de um azulejo branco são narradas por ele mesmo, que cada dia tira uma foto do seu estado emocional e tenta traduzir em sensações as cores, as imagens, o brilho que esta arte portuguesa soube produzir”.

Surgem assim fotos de azulejos das calçadas de Santana, da Graça e do Cascão, das ruas Forno do Tijolo, da Palmeira, Angelina Vidal, de S. Lázaro ou dos Cavaleiros, das travessas da Piedade, do Cotovelo e de Santa Teresa, dos campos de St.ª Clara e dos Mártires da Pátria, do largo de S. Mamede ou do Poço do Borratém, sempre em Lisboa.

Nunzia de Palma nasceu há 30 anos em Terlizzi, na região da Apúlia, no sul da Itália, é tradutora de profissão, e mora em Lisboa desde 2014, segundo nota da editora.

Licenciada em Letras e Mestre de Tradução Literária, “está a finalizar o doutoramento em Literatura Pós-colonial, sobre o cânone literário angolano”.

Traduziu para italiano “O cão e os caluandas”, de Pepetela, em 2015, para a editora Felici e colabora com várias revistas como tradutora.

Diário Digital com Lusa

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