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«Representação Política. Textos Clássicos, coordenação de Diogo Pires Aurélio […] reúne diversos ensaios sobre a representação popular da autoria de alguns dos mais importantes teóricos sobre a concepção e a aplicação do princípio da legitimidade pelo consentimento – Edmund Burke, Emmanuel Sieyes, Gyorgy Lukács, Hans Kelsen e Carl Schmitt. A obra é antecedida de um estudo introdutório da autoria do organizador da colectânea, onde este reflecte circunstanciadamente sobre “o que representam os representantes do povo”. Em lugar de escolher reflexões estereotipadas sobre a representação, Diogo Pires Aurélio preferiu optar por textos menos conhecidos capazes de levar os leitores ao âmago do tema da representação».
Guilherme d’Oliveira Martins, A Vida dos Livros (7 Dezembro 2009), rubrica do site do Centro Nacional de Cultura.
«A edição é excelente; as traduções são correntias, sendo embora exactas; cada autor e cada texto beneficiam de uma apresentação […]; algumas notas de pé-de-página esclarecem a textualidade; um índice remissivo maximiza as vantagens da leitura.
Diogo Aurélio assinala que a problemática da representação está hoje esquecida. Tem razão. Não está disponível uma antologia assim. Ainda bem que agora a temos. […]
Os textos distribuem-se por dois núcleos cronológicos: o final do século XVIII, a época da Revolução Francesa (Burke, Sieyès) e o período entre a Primeira e a Segunda Grandes Guerras (Lukács, Kelsen, Schmitt). Os dois autores setecentistas oferecem-nos versões clássicas e sintéticas. Kelsen escreve um maravilhoso texto de engenharia constitucional. Schmitt escreve uma sociologia política da representação: “a situação do parlamentarismo é hoje tão crítica, porque o desenvolvimento das modernas democracias de massa fez da discussão publicamente argumentada uma formalidade vazia”. […] um livro que, preenchendo na perfeição o seu objectivo de iniciar estudantes nos arcanos da teoria política e da história das ideias sociais, também suscita reflexões mais avançadas.
Ah! Como os textos antologiados não são de acesso fácil na net, o leitor terá mesmo de se abeirar do objecto livro. Mais uma vantagem».
Luís Salgado de Matos, recensão na Análise Social, XLV (195), 2010, pp. 400-401 |