A adoção explicada às crianças… e aos adultos por uma futura mãe

A adoção explicada às crianças… e aos adultos por uma futura mãe

Detalhe de uma das ilustrações do livro “Reis Procuram Príncipes”, escrito por Ana Kotowicz e ilustrado por Rita Correia

  |  DR

 

Ana Kotowicz escreveu uma história para explicar aos filhos a sua adoção. Chama-se “Reis Procuram Príncipes” e sai no Dia da Criança.

Pode ser hoje enquanto ler estas linhas, daqui a seis meses ou um ano. Ana Kotowicz está à espera do filho ou filhos a que se candidatou para adotar junto da Santa Casa. Enquanto espera, escreveu Reis Procuram Príncipes, uma história encantada sobre o caminho dos pais que decidem dar este passo.

Foi em dezembro, durante a terceira e última formação obrigatória para quem quer adotar meninos institucionalizados, dedicada à maneira como os pais vão contar aos filhos que já tiveram outra família, que a ideia do livro nasceu.

Ana, 41 anos, candidata com o marido a adotar uma ou dias crianças com menos de seis anos e de qualquer origem, decidiu que seria através da escrita a sua explicação. “Talvez por defeito de formação”, admite. É jornalista, atual chefe de redação do Dinheiro Vivo (jornal económico que pertence à Global Media Group, de que também faz parte o DN), antiga colaboradora do jornal i e sempre quis escrever livros.

Por essa altura, Reis Procuram Príncipes era ainda (apenas) isso: a maneira como abordar uma questão que se quer cada vez mais “transparente”. Um excerto: “Mesmo numa das pontas do Reino das Sete Cores, havia um reino onde só viviam crianças. Chamavam-lhe Montanha das Crianças Sós. (…) Havia fadas madrinhas e elfos – que trabalhavam sempre aos pares – para tomar conta delas. E enquanto estes guardavam as crianças, outras fadas e outros elfos procuravam uma nova casa e uma nova família para cada uma delas.”

Ana Kotowicz, 41 anos, é jornalista e trabalha no “Dinheiro Vivo”

  |  NUNO PINTO FERNANDES/ GLOBAL IMAGENS

Depois de escrever a história, Ana Kotowicz (descendente de um polaco e de uma da italiana pelo lado do pai e de uma angolana e de um português pelo lado da mãe) falou sobre o assunto a Isabel Stilwell, jornalista e consultora da editora Livros Horizonte, que gostou da ideia e a pôs em marcha.”Mudei algumas coisas porque é diferente o que escrevemos para os nossos filhos ou para as outras pessoas lerem”, diz.

Com Reis procuram Príncipes procura, também, dar as respostas que procurou e não encontrou. “Andei à procura de livros sobre adoção e, é a velha história, se não está nas livrarias, escreve o teu”.

“Escrevi a pensar em mim e no meu pequeno universo, mas pode ajudar gente que esteja a passar pelo mesmo”, acredita. Prova disso foi a reação ao texto A minha imensa gravidez invisível, publicado a 19 de maio no blogue Amãezonia – Ter filhos é uma vida selvagem. “Foi há 75 semanas que me disseram que ia ser mãe e desde então – mesmo que os meus filhos não estejam para chegar pela via biológica – a minha barriga não para de crescer”, escreveu. Recebeu telefonemas e mensagens de pessoas com quem não falava há muito tempo, muitos comentários, um mail de uma mulher a contar a sua história.

No livro, as crianças já chegaram a casa. Primeiro Zezé, depois Mia. “O coração é feito de gavetas, Zezé (…) e é um sítio mágico, sempre pronto a ficar maior e a ter mais espaço para criarmos novas gavetas para novas pessoas de quem gostamos (…). A tua antiga família vai estar sempre aí guardada no teu coração” – é assim que Ana Kotowicz quer explicar a maneira como as crianças chegaram à sua casa. Fá-lo a partir das orientações que recebeu da psicóloga e a assistente social, as fadas madrinhas, que acompanharam o seu processo. “Uma das coisas que nos dizem é que importante introduzir a questão da adoção, em função da idade”. “Aprendemos que não devemos culpabilizar os pais biológicos”, explica Ana, enquanto vive a sua fase da espera.

Ana também participou no processo de escolha da ilustradora. “A editora, como sabe que gosto muito, deixou-me participar no processo”. Durante a passagem pelo jornal i, assinou regularmente textos sobre livros para crianças e foi assim que conheceu dois, edições de autor, de Rita Correia.

A ideia foi bem acolhida pela editora e até pela descendência de Rita Correia, que fizeram dois desenhos que estão no livro. Ana recorda o que disse quando viu os primeiros desenhos: “É mesmo isto”. Até as personagens tinham o ar que tinha imaginado”, conta.

Reis procuram Príncipes chega às livrarias no dia 1 de junho e é lançado no mesmo dia, às 18.30, na livraria Bertrand das Amoreiras, em Lisboa, com apresentação do jornalista Luís Osório. E no dia 4, às 16.00, há sessão de autógrafos na Feira do Livro.

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